Viagem, festas, presentes, material escolar, IPVA e IPTU são apenas alguns dos gastos previstos para dezembro e janeiro, meses que historicamente são marcados pelo aumento de dívidas e casos de inadimplência no País.
Com muitos produtos em oferta e dinheiro sobrando, a época é propícia a gastos não planejados e pode causar grandes prejuízos ao bolso do consumidor. Por conta disso, antes de se esbaldar nas lojas, deve-se ter um cuidado redobrado para não se endividar.
Uma dica é não pensar no 13º salário como um dinheiro extra para fazer extravagâncias. Usá-lo de forma consciente é o primeiro passo para fugir do aperto no início do ano. Se tiver dívidas, use o dinheiro para quitá-las, ou então, aplique o valor e usufrua apenas do rendimento. Ao fazer as compras, planeje bem e procure pagar à vista porque a possibilidade de conquistar um desconto é ainda maior. Ao discriminar todos os gastos, a pessoa que já está com a corda no pescoço se sentirá pressionada a não cometer novos exageros.
Para o consultor Financeiro Cláudio Boriola, o final de ano é o período mais perigoso para o consumidor. “O brasileiro deixa se levar pela emoção de comprar, pelo ato impulsivo. As lojas estão bonitas e os preços atrativos. Esses fatores atraem o consumidor que não planeja suas compras para o centro do furacão e podem deixar, meses depois, o seu nome negativado”, comenta.
Segundo o consultor, evitar entrar no limite do cheque especial e pagar a parcela mínima do cartão de crédito, ainda mais nesse período, é fundamental. Para quem não conseguir fugir do pagamento parcelado, uma dica é imaginar o valor total saindo do seu bolso, isto evitará a impressão de que se gastou menos.
“Usar o cartão é aconselhável somente quando não existe diferença em relação ao preço à vista. Quem não quer se endividar pode programar os gastos de forma que possa pagar o total da fatura na data de vencimento, evitando o crédito rotativo, pois o cartão tem as taxas de juros mais altas do mercado. Para se desvencilhar das tentações das vitrines e manter uma vida financeira saudável basta seguir a ‘regra dos quatro Ps’, que são: planejar, pesquisar, pechinchar e pagar à vista. Só assim para não arrombar o orçamento no final do ano”, explica Claudio.
Ao planejar a viagem, as pessoas também devem ter em mente que os gastos vão muito além do transporte e hospedagem, com os maiores custos nas despesas com alimentação, presentes e passeios. Antes de partir, calcule quanto o orçamento da família pode ceder para as despesas. Se o orçamento estiver curto, o melhor é adiar as férias dos sonhos para os próximos anos, reservando uma parcela mensal para o projeto.
IPTU mais caro e IPVA mais barato
O ideal é gastar menos do que se tem de renda e assim fazer uma reserva financeira para eventuais gastos extras, previstos ou não. Entre os já esperados para janeiro estão os vilões IPTU e IPVA. Quem tem algum dinheiro guardado ou não gastou todo o 13º pode aproveitar os descontos para pagar à vista os dois impostos e conseguir um bom desconto. Essa dica só serve para quem já tem o dinheiro. Não vale a pena tomar empréstimos, pois os juros são muito mais pesados. O valor do IPTU depende da cidade onde o imóvel está localizado e é calculado sobre o valor da propriedade. O pagamento pode ser efetuado em até dez prestações iguais, mensais, com vencimento sempre no mesmo dia de cada mês. Após o vencimento da parcela, o valor é acrescido de multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Coloque na cabeça que é importante poupar pelo menos 30% dos rendimentos mensais, afinal, nunca se sabe o que terá de enfrentar no futuro”, explica Cláudio Boriola.
A boa notícia para o final do ano vai para os proprietários de veículos na Região Metropolitana de Campinas (RMC). Isso porque o IPVA de 2012 ficará bem mais acessível ao bolso. Segundo a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a tabela de valores venais de veículos, utilizada para cálculo do imposto, registrou queda nominal de 3,75% nos preços de venda de veículos no varejo. A diminuição vai provocar um reflexo de queda de 3,34% para carros e de até 5,56% para moto. Como nos outros anos, quem efetuar o pagamento do imposto em cota única em janeiro de 2012 terá um desconto de 3%. O IPVA também pode ser parcelado, sem desconto, observando as datas de vencimento em janeiro, fevereiro e março. O contribuinte que deixar de recolher o imposto fica sujeito à multa de 0,33% por dia de atraso e a juros. Passados 60 dias, o percentual da multa fixa-se em 20% do valor do imposto.
O Estado começa a recolher o IPVA 2012 a partir do dia 11 de janeiro para veículos com placa final 1.
O valor do Seguro DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), pago por proprietários de veículos também não terá reajuste em 2012. Os donos de veículos de passeio pagarão R$ 101,16. O maior valor, R$ 279,27, será cobrado dos proprietários de motos, porque é a categoria com maior número acidentes. (T.M)
RETRANCA 2
Custos escolares devem aumentar
Para o ano que vem o consumidor também deve se preparar para gastar com o material escolar. Segundo o varejo, o preço deve superar a inflação oficial, de 6,48% e subir de 5% a 7% em relação ao ano passado. Para fugir dos altos preços, o consultor Financeiro Claudio recomenda a combinação de antecipação, pesquisa e atenção redobrada, o que pode garantir um alívio para o bolso, sem deixar de lado a qualidade. Muitas vezes, a ânsia da criança em adquirir um produto com grande repercussão na mídia influencia na perda de qualidade dos materiais e gera a necessidade de ser renovado em um curto período. Segundo Cláudio Boriola, o pagamento deve ser feito à vista, o que pode render desconto de até 10%.
O aumento das mensalidades nos colégios particulares da região também deve ficar acima da inflação, mas os pais devem verificar se os reajustes são abusivos. A escola deve divulgar a nova proposta de contrato, o valor da anuidade e o número de vagas por sala, num período mínimo de 45 dias antes da data final da matrícula. O consumidor também precisa estar atento ao prazo estipulado pela instituição de ensino para a renovação e desistência da reserva da matrícula. Pode ser que o procedimento exija o pagamento de taxas extras. Outro item é o sistema de avaliação, se existe taxas a serem pagas, bem como os descontos e multas por atrasos no pagamento das parcelas. Cobranças indevidas por parte da instituição devem ser restituídas em dobro, acrescidas de juros e correção monetária. (T.M)
Fonte: Jornal Gazeta Regional